Que ninguém se sinta obrigado a ler este blog... a sério, só o fiz para ver como é, para publicar aquilo que me vem à cabeça... o que nem sempre é interessante. Ne vous sentez pas obligés de lire ce blog... je l'ai fait uniquement comme expérience, pour publier ce que je considère intéressant. Et tout est relatif. Surtout l'intéressance. Bref, bienvenue à mon blog! Bem-vindos ao meu blog!

domingo, junho 21, 2009

«
Sérgio contou-me esta tarde, enquanto tomávamos sol na piscina, após o almoço, uma ocorrência
curiosa. Há alguns anos um dos seus melhores amigos caiu doente e morreu, confirmando a
sombria previsão de uma cartomante. Era (como eu) um sujeito que gostava de lagartos. Cuidava
de vários, em casa, e falava com eles. Sempre alegre, bem-disposto, enviava cartas e postais aos
amigos, assinando simplesmente «Eu». Poucos dias após o funeral, Sérgio foi a uma pequena
praia, que costumavam frequentar juntos, e à qual só era possível aceder, a pé, depois de
atravessar um terreno privado. Havia um portão, invariavelmente fechado, que eles abriam para
entrar no referido terreno. Naquele dia, contudo, Sérgio encontrou o portão escancarado.
Avançou triste, cabisbaixo, pensando no amigo, e no quanto sentia a falta dele, quando,
subitamente, um lagarto surgiu a correr, ao longo do muro, levando-o a erguer os olhos. Só então
reparou numa frase recentemente pichada: «Sempre presente!»
Assinado: «Eu».
»
José Eduardo Agualusa (2007), As Mulheres do meu Pai

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