Que ninguém se sinta obrigado a ler este blog... a sério, só o fiz para ver como é, para publicar aquilo que me vem à cabeça... o que nem sempre é interessante. Ne vous sentez pas obligés de lire ce blog... je l'ai fait uniquement comme expérience, pour publier ce que je considère intéressant. Et tout est relatif. Surtout l'intéressance. Bref, bienvenue à mon blog! Bem-vindos ao meu blog!

quinta-feira, maio 25, 2006

Carina

Pois, também estou com imenso trabalho… mas prefiro os problemas da faculdade, quando se pode fazer alguma coisa, quando depende de nós resolvê-los… além disso para mim é uma honra andar na faculdade, tenho imensa sorte em estar cá.

Eu antes do décimo-segundo nunca tinha posto a hipótese de vir para o ensino superior, os meus pais não tinham dinheiro para me pôr na faculdade e eu achava que as bolsas eram só para os melhores.

No décimo-segundo, quando os professores nos perguntavam qual era o curso que queríamos seguir, eu dizia que não ia para a universidade. Eles insistiram comigo, foram eles que me ajudaram a arranjar bolsa. Concorri, tive sorte.

Como eu nunca tinha posto a hipótese de ir para o ensino superior não fazia ideia de que curso escolher. Estava em Artes, por isso a minha escolha era um bocado limitada. Como adoro entrar em casas de antiguidades candidatei-me a Conservação e Restauro, aqui e em Tomar. Não pus mais nada no boletim de candidatura. Preferia entrar cá, porque em Tomar o curso é só bacharelato. Agora tenho bolsa, estudo cá, estou a viver na residência… acho mesmo que é uma honra. Tive imensa sorte.

Fauna universitária

Agora com o sol, calor, bom tempo (verão…?), etc, surgiu uma nova espécie de estudante, que não existia no resto do ano. Tive a oportunidade de a observar ontem, na fila da casa das folhas (onde fazemos fotocópias); a fila estava enorme, o que me deu tempo de sobra para meu estudo atento de certos espécimen que estavam à minha frente. (também houve tempo para eles repararem e eu fazer mais uma das minhas figuras tristes, mas essa história já é outra). Eram uns três ou quatro indivíduos de sexo masculino.

Aparência física:
Vestem geralmente t-shirts de cores claras (branco, amarelo, cor de laranja, verde claro…), não muito largas nem muito justas, uns calções até abaixo dos joelhos, esses sim, largos. O ideal é serem de banho, mas também podem ser de tecido normal, ganga, etc. Nos pés, ou chinelos de praia (de preferência), ou ténis fashion (daqueles Puma fininhos, por exemplo) também com cores berrantes (verde, amarelo, vermelho, azul forte…) ou então ténis de skate. Nunca se vê as meias. O cabelo tem de ter um corte “original”, geralmente uma crista (não a sei descrever… às vezes tem gel, outras vezes não…), ou então risca ao lado e madeixa na testa… cara lisa ou barba por fazer… Óculos escuros (bem grandes, tipo robocop) na cabeça, na cara se vão para o sol. Em geral são musculados, andam muito direitos, e com um bronze invejável. Dentes brancos, para um sorriso colgate perfeito.

Atitude:
Uma certa tendência para se sentirem (ou quererem ser) observados (neste caso… porque será? =P), os mais estilosos têm de levar qualquer coisa no ombro, seja uma camisola (as manhãs ainda são frias) seja uma toalha de praia (viva a FCT!!!). Aparecem na faculdade normalmente a partir do meio-dia e passam a tarde ao sol, refastelados na esplanada do 7, a jogar sueca e a beber médias, a rir muito, a dizer piadas muito alto (o importante não é terem piada mas parecer que se estão a divertir imenso) e a observar os indivíduos femininos da mesma espécie. É para isso que servem os óculos de sol. Tanto pó menino como pá menina. Por acaso estou a precisar de uns.

quinta-feira, abril 27, 2006

quinta-feira, abril 20, 2006

O meu actual despertador

Dans les nuages (Tryo)

Imagine un enfant en bas-âge
Qui se balladerai dans les nuages
Qu'est qui verrai de son ptit âge?
Quelle s'rai la forme de son voyage?
Yaurai sûrement de belles images
2-3 souvenirs qui s'en dégagent
Et si l'temps tournai à l'orage
Yaurai sa mère dans un visage
Yaurai pas d'haine, et pas d'carnage
Yaurai qu'l'inconscience de son âge
Quelques bombecs, quelques mirages
Et l'bonheur pour être en phase

Imagine Ayang Xémine
Lever les yeux d'sa triste mine
Qu'est qu'il verrai dans l'ciel de Chine
Pas plus penché qu'une Timyline
Verrai des milliards d'unité
Une place Tien Anmen bien cliné
Des chars, des pars de marché
Et p't'être Maho pour le guider

Qu'il dégage, qu'il dégage avant l'orage
Qu'il dégage oh oh oh, qu'il dégage

Imagine un taliban
Lever les yeux sous son turban
Sûr qu'dans l'ciel bleu d'Afghanistan
Yaurai plus d'femmes et plus d'enfants
Yaurai comme un espèce de voile,
Un tchador noir qui cache l'âme
Quelques armées, des tonnes de larmes
Planquées dans des nuages de drames

Imagine le pire des présidents
Buch l'américain pédant
Pris dans encore un de ses moments
A divaguer au-dessus du vent
Il verrai dans ces gros trucs blancs
Tonnes de pétrole et tonnes d'argent
Mais sûrement pas l'visage des gens
Gazés au nom du bon texan
Il s'verrai lui le géant
Gérant le plus con des continents
Et comme le bouffon qu'il est sûrement
Il savourerai l'instant présent
Qu'il dégage, qu'il dégage avant l'orage
Qu'il dégage oh oh oh, qu'il dégage

Moi quand j'regarde dans les nuages
J'voit mon gamin dans un visage
Et suite à la douceur de cette image
Ya comme une haine qui s'dégage
Voit la beauté de ce présage
Qui pourrai tourner a l'orage
Parce que l'regard de tous ces naz
N'ira jamais dans l'sens des sages
Qu'il dégage, qu'il dégage avant l'orage
Qu'il dégage oh oh oh, qu'il dégage

tirado do site
http://www.paroles.net/chansons/30489.htm

quinta-feira, abril 06, 2006

Medo... =P

Beeeeeeemm!!!!! Há taaanto tempo que não vinha surfar pa estes lados! Isto é realmente impressionante... o meu último post data de... 28 de Março!!!?!!!! Que vergonha. Também não tenho tido propriamente muito tempo para vir aqui escrever as minhas bácoras... Tenho duas histórias pra contar.

1ª: as minhas aventuras no fórum de Bioética. Este semestre, na cadeira de Bioética, temos um fórum, na net, em que fazemos debates sobre os mais variados temas. Alguns não têm NADA a ver com bioética mas é giro. O post que mais me assustou foi este (de uma tal Luísa):

«Surgiu, numa das cadeiras que tenho este semestre, um texto que fazia referência a um site do RYT Hospital em que nos é apresentado um individuo, o Sr Lee Mingwei, e a quem foi "provocada" uma gravidez. No site descrevem o processo, também inclui uma entrevista, assim como outras informações (http://www.malepregnancy.com/). (…)»

Vão ver o site antes de ler o resto deste post… mete medo.

Posto isto, veio uma tal Nicole:

«Eu sou aluna da referida cadeira onde foi abordado este tópico, e posso garantir que a gravidez é falsa. Trata-se de um projecto elaborado por um artista o mr. Lee, no fundo o que eu acho que o que Mr. Lee quer é alterar o pensamento da sociedade, porque como viram na teoria já é possível uma gravidez masculina, contudo ainda com riscos para o Homem. Ora o que é preocupante é o facto deste site parecer tao realista que existem pessoas a deixarem post a desejarem sorte para o bebe e q corra tudo bem, ou seja muitas pessoas acreditam que o senhor esta mesmo grávido, outras dizem q o bebe devia de ser morto e q mr. Lee devira de se arrepender. (…)»

Fiiuuuuuuuuuuuu…!!!! Suspiro de alivio. Claro, então não se estava mesmo a ver que aquilo era tudo peta?! Qualquer pessoa que olhe para aquelas fotos vê que é montagem… e aqueles diagramas hormonais?! Táva-se mesmo a ver! (Que isto fique entre nós: eu, Carol, estudante em Biologia, engoli tudo. Mas é porque sou eu.)

Depois, houve um engraçadinho (um tal Jacinto) que escreveu um post fantástico (a Carolina sou eu):
« (…) A fecundação masculina trata-se de um processo vestigial, proveniente dos antepassados marítimos do homem. Como tu, Carolina (bjufax pra ti,tombém ), enunciaste:

«Afinal, nos cavalos marinhos, também é o macho que dá à luz...»

O homem, possui, numa posição antero-posterior, imediatamente abaixo da bexiga e acima da próstata, um micro-útero. Daí que o maior problema na fecundação, seja a inexistencia de óvulos no homem e a dificuldade de os fazer chegar até este útero.
Se a fecundação ocorrer (possivelmente a partir de uma ligação por um canal rectal), o ovo inicia o seu desenvolvimento. Para que o feto continue a ser desenvolver, os testículos do hospedeiro, migram até à zona abdominal, mutando-se até se tornarem ovários, os quais vão produzir hormonas femininas e desenvolver os mamilos para o aleitamento do nosso querido bebé. Assim concluo esta pequena explicação universal, sobre o natalidade no homem. Espero que tenham ficado elucidados e caso tenham dúvidas, não exitem em contactar-m.

"E na fecundação, o macho enche-se de vida"

Cheers,Jacinto Leite
»

Não está genial? Só é pena esta malta escrever com tanto erros…

Pronto, foi esta a minha 1ª história. Aí vai a 2ª:

Tenho estado a ler um livro que comprei há meses e que se chama Os 7 Pecados Capitais (na próxima vez que cá vier escrevo referências mais precisas, não tenho aqui o livro), e vinha lá esta história, contada por um dos autores, tendo como protagonista um conhecido de um amigo do dito, no pecado da Avareza:

Era uma vez um indivíduo com problemas financeiros. Era casado, com imensos filhos, e era muito esperto. Um dia, como era muito esperto, teve uma ideia luminosa para resolver o problema. No dia seguinte, ao almoço, quando estava a família toda sentada à mesa, logo que a mulher trouxe a panela da sopa, diz ele: “Dou 5escudos a quem quiser ficar sem almoço”. Como na altura, 5escudos já era uma soma respeitável, aceitaram todos, e levantaram-se da mesa com o dinheiro no bolso. Ao Jantar, depois de um dia de trabalho, a família senta-se à mesa e diz o pai: “Agora só janta quem pagar 5escudos.” Quem ainda os tinha, jantou. Os outros ficaram a ver. (não me lembro bem do fim mas era algo do género:) Nessa altura um dos filhos manda uma boca qualquer insinuando muito subtilmente a sacanice do pai ao que ele responde: “Tss tss, olhe que pai só há um…” “Felizmente…” responde o puto.

THE END

quinta-feira, março 23, 2006

Porquê...

Porquê... mas porque é que tem de estar este tempo? As palmeiras já parecem todas malucas... E os pinguins? Porque é que têm esta mania de comer as bananas verdes? É que nem esperam que estejam maduras!!! Será que não sabem o que é uma espécie em vias de extinção? São todos uns incompetentes. A culpa é deles!!! Ainda por cima o Sporting ontem perdeu... Mas que chatos. É o que eu digo. Do meu tempo... ai ai... estes pinguins de hoje em dia... pff

segunda-feira, março 20, 2006

AAAAAAARRGGGHHH!!!!!!!!!!!!!!

Nããããooooooooooo!!!!!!!!!!!
Já me tinha esquecido do texto original... e a tradução é péssima (quem é que confunde "onda" com "maré"?):

«Mais savez-vous, Monsieur Brul, que c’est ignoble, d’imposer à des enfants une régularité d’habitudes qui dure seize ans? Le temps est faussé, Monsieur Brul. Le vrai temps n’est pas mécanique, divisé en heures, toutes égales… le vrai temps est subjectif… on le porte en soi… Levez-vous à sept heures tous les matins… Déjeunez à midi, couchez-vous à neuf heures… et jamais vous n’aurez une nuit à vous… jamais vous ne saurez qu’il y a un moment, comme la mer s’arrête de descendre et reste, un temps, étale, avant de remonter, où la nuit et le jour se mêlent et se fondent, et forment une barre de fièvre pareille à celle que font les fleuves à la rencontre de l’océan. On m’a volé seize ans de nuit, Monsieur Brul… (…) Voilà pourquoi j’ai triché.»
L'Herbe Rouge, Boris Vian

segunda-feira, março 13, 2006

há um momento, como quando a onda pára...

«mas sabia, senhor Brul, que é ignóbli impôr às crianças uma regularidade de hábitos que dura dezasseis anos? O tempo é falsificado, senhor Brul. O verdadeiro tempo não é mecânico, dividido em horas todas iguais… o verdadeiro tempo é subjectivo… trazemo-lo em nós… Levante-se todas as manhãs às sete horas… Almoce ao meio-dia… Deite-se às nove horas… e nunca terá uma noite para si… nunca poderá saber que há um momento, como quando a onda pára de descer e fica por um lapso queda antes de subir de novo, em que a noite e o dia se misturam e se fundem e formam uma barra de febre semelhante à que os rios fazem ao se encontrarem com o oceano. Roubaram-me dezasseis anos de noite… eis a razão porque eu fiz batota.»

Boris Vian, A Erva Vermelha

(imagem tirada de: www.olhares.com
Autor: LUÍS J P MANJERICO
Data: 2005-02-15 12:26:46)

segunda-feira, março 06, 2006

cena triste

Personagens: Me, Polícia municipal, Mãe, Filho.

Cenário: sentada num banco de rua, com um livro na mão, A Caverna do Saramago se bem me lembro; à minha frente ondulava levemente a tela verde-escuro-esburacado de uns andaimes de onde emanava um cheiro pouco agradável (é a minha especialidade: encontrar sítios confortáveis e tranquilos para ler). À minha direita estava um carro mal estacionado, no passeio.

O carro já tinha aquelas coisas amarelas para bloquear as rodas e encontrava-se ao lado dele um polícia do mais tuga possível: bigodaça, ventre avantajoso, etc, etc… saca de um autocolante daqueles que se colam na janela da viatura transgressora do Código e põe-se a escrever algo. Nesse momento passa atrás do meu banco uma mãe, com pelo menos dois sacos de plástico numa mão e a mão do filho na outra (penso que me fiz entender).

FILHO: Olha mãe! Um polícia! O quéquele tá a fazer?

MÃE: Tá a pôr uma multa no carro que está mal estacionado. Tás a ver aquelas coisas amarelas nas rodas? É porque assim o dono do carro já não o pode tirar dali e tem mesmo que ir pagar a multa.

FILHO: Uau! Não tenho a certeza deste uau mas fica bem.

A mãe e o filho ficam a observar o representante da autoridade.

Nisto, o senhor polícia, que já tinha acabado de escrevinhar tudo, prepara-se para colar o referido autocolante e tira o papel (daqueles que os autocolantes têm atrás e que se tiram para se poder colar o autocolante). Como bom exemplo para os dois atentos observadores (três a contar comigo), atira vigorosamente o papel por cima do ombro, para o chão, cola o autocolante no vidro da viatura, coça o bigode e vai-se embora. A mãe puxa o filho pela mão: “Anda, temos de ir lanchar”.
Eu contenho o riso.

domingo, março 05, 2006

le temps...

«Le temps n'est pas de l'argent, il est la vie même, la seule manière de le gagner consiste précisément à le perdre»

(pris du résumé de "L'Histoire sans fin" de Michael Ende)

sexta-feira, março 03, 2006

40km/h


Estes últimos tempos tenho voltado para casa à boleia com people do teatro e aprendi algo relativamente interessante: ao que parece, quem percorre a av. 24 de Julho a 40 km/h (refiro-me os automobilistas) não tem de parar o carro uma só vez, e apanha todos os sinais verdes. O sistema foi estabelecido de propósito para que quem anda a altas velocidades tenha de parar regularmente, chegando finalmente ao mesmo tempo que aqueles que se limitam aos 40. O trajecto é assim feito practicamente no mesmo lapso de tempo, gasta-se muito menos gasolina do que no acelero-travo-arranco-acelerodenovo-tenhoquetravaroutravez. É portanto um sistema +económico, +ecológico, para além de +seguro e ainda por cima dá para gozar com os trols que se divertem a ultrapassar toda a gente para depois ter de parar no semáforo seguinte =P.

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Teatro = momento de liberdade?


Comentário que pus no post do Esquisito "Teatro e Vida. Representação e realidade"

Eu encaro o Teatro como um jogo. Uma oportunidade de viver a vida de outra forma, sem implicações, sem compromissos, onde (quase) tudo é permitido e sem consequências de maior. Também é poder lidar com aquelas facetas que todos temos escondidas, veladas pelo teatro que fazemos no dia-a-dia com o intuito de dar de nós próprios aquela imagem que pensamos ser a mais aceite por aqueles que nos rodeiam; poder libertar e ficar a conhecer emoções já ressentidas directa (por experiência própria) ou indirectamente (por experiência alheia), usá-las para a criação duma personagem que só existirá naquele momento em que a representamos através do nosso próprio corpo e da nossa experiência de vida. A meu ver o Teatro pode portanto ser visto nestes dois aspectos: como Arte no processo de criação duma personagem, de transmissão de emoções; ou como jogo, brincadeira de faz de conta, aventura, experiência noutra dimensão.

imagem: recorte do cartaz para a 7ª edição da Mostra de Teatro de Almada (tirada de http://lazer.publico.clix.pt/artigo.asp?id=145346) estes dias decorre a 10ªed!!!

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

anonimato

Hoje de manhã saí de casa para a faculdade. Cedinho, ainda não havia ninguém na rua e ainda não se sentia o cheiro a pequeno-almoço. (Pois, porque em Afama cheira-se a comida à hora das refeições, sopa, carne assada, peixe grelhado, etc… ou café, torradas…). Ia portanto a descer a rua para a autocarro, em zigzag entre passeio (molhado, escorregadio, com uma inclinação de 45º para a direita) e a estrada (cheia de cocós de cão, vá-se lá saber porquê, e com carros de vez em quando, mas menos inclinada e menos escorregadia), passaram-me à frente vários jovens (tipo nos vintes, quase trintas), altos, de mochila às costas, a dar grande passadas. De repente abre-se a porta de um prédio, mesmo na altura em que eu ia a passar e sai outro gigante. Eu olho para ele (apanhei um susto com a porta a abrir-se assim de repente), ele olha para mim (violinos), continuei a andar e ele passou-me à frente com as tais grandes passadas. Era negro, alto, de mochila e tinha óculos. Via-o a andar lá à frente, enfim, descíamos os dois a rua, a uns dez metros de distância um do outro e vejo-o a virar à esquerda, para umas escadinhas por onde costumo descer (shortcut) para apanhar o autocarro. Sigo-o, que remédio, e instala-se algum embaraço: eu com a desagradável sensação de quem segue sem querer (neste caso sem alternativa) alguém, sentindo que esse alguém tem a sensação de estar a ser seguido mas tenta disfarçar. Espero ter-me feito entender. Ouviam-se os nossos passos a descer as escadas e a ruela. Ao chegar à rua principal (aquela do ISPA) penso: é um ISPAíno, vai virar à esquerda. Não, vira à direita, como eu. Decido atravessar a estrada. Ele atravessa também e passa-me à frente. Ao virar da esquina vejo-o a correr para apanhar o 90. Que pára nos Restauradores. É o que eu quero. Corro também. No autocarro sento-me no fundo. Nos Restauradores ele levanta-se. Saímos os dois. Ele parte noutra direcção e eu entro no Metro. Vejo-o a aparecer por outra entrada. No cais, fico numa das pontas (é o que dá mais jeito a quem depois apanha o comboio em 7rios), vejo-o a ir para o meio, começo a pensar no meu horário e na teórico-prática de Bioquímica (que acabei por não ter, levantei-me às tantas para nada), chega o metro, entro, blablabla. Jardim Zoológico. Saio do metro, com a multidão matinal, e quem é que me passa à frente ao subir as escadas? Foi aí que o vi diluir-se e desaparecer no mar de gente. Ao chegar à Linha 4 (comboio para Coina, lindo nome...) olhei à minha volta. Não podia deixar de fixar estupidamente todos os indivíduos negros, altos, de óculos, mochila. Pena não ver ao longe. Penso que se o reconhecesse no cais do outro lado da linha até lhe acenava. Ou ficava a olhar para o chão, constrangida por este anonimato citadino que todos temos a mania de manter a todo o custo. Ou então sacava do telemóvel a ver de sms. Inutilmente desligado.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

publicidade...

Pois é, até custa acreditar… encontro-me em frente ao monitor de um PC… COM NET!!! E com tempo para escrever!! Já agora aproveito para informar os estimados leitores que neste momento, apesar de não ter publicado nada desde dia 14, se encontram vários posts em curso (na minha mente brilhante). Não sei se alguém se deu ao trabalho de ler os excertos de Primo Levi que publiquei… refiro-me, obviously, ao pessoal do Liceu Francês, visto que chegámos a dar um livro dele na 3ème (acho eu).

Já agora explico porque publiquei aqueles excertos (arriscando-me a levar com um processo de direitos de autor!!!). Há imenso tempo que não ficava realmente (e duravelmente, mas ainda não passou tempo suficiente para o comprovar) marcada por um livro, e este é daqueles que me deixam a pensar em cada capítulo. Provavelmente por ter passado por Auschwitz, e também, como é evidente, por ter imenso talento literário, é impossível ficar indiferente a todas as reflexões que o Primo Levi faz ao longo do livro, enquanto judeu na 2ª guerra mundial. Fiquei com vontade de saber mais sobre ele (uma biografia do Primo Levi é um dos novos posts a considerar =P). Pode não ter nada a ver com nada, mas ele suicidou-se no ano em que nasci. Só que em Abril. Não, não tem, realmente, nada a ver com nada.
Please, leiam pelo menos o último excerto ("fin"). Como disse num dos posts, não me chega ter lido, preciso que outros também o leiam…

fin

«Des enfant adultes et sauvages, mûris dans les privations, dans l'isolement, dans les campements et dans la guerre. Désorientés au seuil de l'Occident de la paix. Voilà, sous leurs bottes vingt fois rafistolées, le sol de l'ennemie, de l'exterminatrice, l'Allemagne-Deutschland-Dajcland-Niemcy: une campagne propre, nette, pas touchée par le guerre, mais attention, ce n'est là qu'une apparence, la véritable Allemagne, c'est celle des villes, celle entrevue à Glogau et à Neuhaus, celle de Dresde, de Berlin et de Hambourg dont on leur avait raconté le sort effroyable. C'est celle-là la véritable Allemagne, celle qui s'était soûlée de sang et avait dû payer; un corps prostré, blessé à mort, déjà en décomposition. Nu. En même temps que la joie barbare de la vengeance, ils éprouvaient une gêne nouvelle, comme celui qui découvre une nudité interdite.
Des deux côtés de la route se voyaient des maisons aux fenêtres condamnées, pareilles à des yeux clos ou qui ne veulent pas voir; quelques-unes de ces maisons avaient encore leur toit de chaume, d'autres n'en avaient plus, ou bien il avait brûlé. Des clochers en ruine, des stades où déjà poussait de la mauvaise herbe. Dans les agglomérations, des tas de décombres avec des écriteaux où on lisait: "Ne pas marcher ici: corps humains". De longues queues devant les rares boutiques ouvertes, et des habitants du lieu s'affairant à effacer ou à ôter à coups de marteau les symboles du passé, ces aigles et ces croix gammées qui devaient durer mille ans. Aux balcons flottaient d'étranges drapeaux rouges: on y voyait encore la trace du svastika noir décousu en toute hâte; mais bientôt, à mesure que les gédalistes poursuivaient leur chemin, les drapeaux se firent plus rares et finirent par disparaître.
Gédal dit à Mendel:
– Si ton ennemi tombe, ne te réjouis pas; mais ne l'aide pas à se relever.»
Primo Levi, Maintenant ou jamais

"Dix pour un..."

«Ils progressèrent dans la nuit, aussi vite qu'ils le purent, avec le remords de cette trop facile vengeance, et aussi le soulagement de se dire que tout était fini.[...] Mendel était en tête du groupe, entre Line et Gédal.
– Vous les avez comptés? demanda Line.
– Dix, répondit Gédal. Deux près de la porte, un que Mottel a tué dans l'escalier, sept dans la salle du conseil.
– Dix pour un, dit Mendel. Nous avons fait comme eux: dix otages pour un Allemand abattu.
– Ton compte est faux, dit Line. Les dix de Neuhaus ne doivent pas être portés au compte de Rokhélé, mais à celui des millions de morts d'Auschwitz. Souviens-toi de ce que nous a raconté la Française.
– Le sang, dit Mendel, ne se paie pas avec le sang. Le sang se paie avec la justice. Celui qui a tiré sur la Noire est une bête humaine, et je ne veux pas devenir une bête. Si les Allemands ont tué par le gaz, devrons-nous aussi tuer tous les Allemands par le gaz? Si les Allemands tuaient dix hommes pour un et qu'on faisait comme eux, on deviendrait comme eux, et il n'y aurait plus jamais de paix.
Gédal intervint:
– Tu as peut-être raison, Mendel. Mais alors comment ça se fait que je me sens mieux maintenant?
Mendel réfléchit un moment:
– Oui, moi aussi, je me sens mieux, admit-il enfin, mais ça ne prouve rien. À Neuhaus, c'étaient des réfugiés de Dresde. Smirnov nous a raconté: à Dresde, il y a eu cent quarante mille morts en une seule nuit. Cette nuit-là, à Dresde, ça flambait tellement que la fonte des lampadaires a fondu.
– Ce n'est pas nous qui avons bombardé Dresde! dit Line.
– Assez! dit Mendel. Ça a été la dernière bataille. Marchons plus vite, allons chez les Américains.»
Primo Levi, Maintenant ou jamais

terça-feira, fevereiro 14, 2006

E 28

há certas imagens em que vale a pena clicar para ver em grande

táxi no semáforo (tenho um fascínio por aquela varanda)



a já referida veranda e semáforo


esperando pelo 28 (a tal varanda lá ao fundo)


mosteiro de São Vicente desde o eléctrico (já não aparece a varanda)


limoeiro

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

dernières lectures

Il fallait que j'en transcrive quelquels passages. Comme dit mon père, c'est tellement fort que ça ne suffit pas de les avoir lu.

"j'étais le mécanicien du kolkhoze..."

«J'étais le mécanicien du kolkhoze, et mon boulot me plaisait. Les montres, je les réparais "en privé", à temps perdu: il n'y en avait pas beaucoup, mais tout le monde avait un fusil, et je réparais aussi les fusils. Et si tu veux savoir comment il s'appelle, mon village, il s'appelle Strelka, comme tout un tas d'autres patelins; et si tu veux savoir où c'est, je te dirais que ce n'est pas loin d'ici, ou plutôt que «ce n'était», parce que ce Strelka-là n'existe plus. La moitié des habitants s'est égaillée dans la campagne et dans les bois, les autres sont dans une fosse, et ils n'y sont pas à l'étroit, parce que beaucoup étaient déjà morts avant d'y être jetés. Dans une fosse, oui; ils ont dû la creuser eux-mêmes, les juifs de Strelka; mais dans la fosse, il y a aussi des chrétiens, et entre eux, maintenant, il n'y a pas tellement de différence. Il faut que tu saches que moi qui te parle, moi, Mendel l'horloger qui réparais les horloges du kolkhoze, j'avais une femme, et qu'elle est dans la fosse, elle aussi; il faut aussi que je te dise que je m'estime heureux de ne pas avoir eu d'enfants. Il faut encore que tu saches que ce village qui n'existe plus, je l'ai maudit plus d'une fois, parce que c'était un village de canards et de chèvres, et qu'il y avait une église et une synagogue mais pas de cinéma; et maintenant, quand j'y repense, cela me semble le Paradis terrestre et je me couperais bien une main pour que le temps fasse marche arrière et que tout redevienne comme avant.»
Primo Levi, Maintenant ou jamais

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